quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Crônica sobre o Gelson Rosena



Homenagem Póstuma a Gelson Rosena,

Gelson como era conhecido.

Faleceu em 18/11/1994, com 53 anos de idade.

J. Apolônio
Paraty- RJ - 2009


O Gelson era o filho mais novo da senhora Argentina Rosena, além do Omício, o mais velho, e da Nilza, que logo partiram para outras cidades, deixando a mãe e o irmão caçula. Eram provenientes do Estado do Espírito Santo, quando aqui chegaram, em nossa cidade, na década de 50.

Pela vida humilde que levavam, Gelson procurava ajudar a mãe, com serviços simples, como vender doces e salgados, carregar as malas dos viajantes que pela lancha da carreira chegavam, recebendo pequenas quantias em dinheiro.

Como todo garoto, apreciava uma pelada nos campinhos de futebol, onde se juntava à criançada. No início o Gelson jogava na frente, como toda a criança que queria marcar gol; só mais tarde optou pelo gol, onde fez sucesso como goleiro do Pontal Futebol Clube, no ano de 1961, no campeonato da cidade.

Sua grande apresentação foi num jogo, naquele campeonato, contra o Paratiense Atlético Clube - PAC, formado na sua maioria por garotos do infantil do Valdemar. O jogo terminou em 1 x 1, com a atuação do Gelson impecável. Naquele dia suas mãos mais pareciam garras de tigre. Quando parecia que o gol ia surgir, lá apareciam as mãos do Gelson, defendendo, jogando a bola para longe. O jogo transcorria para seu final e ninguém conseguia superar aquela figura de ébano, intransponível como uma muralha, que se colocava na frente do gol. Assim, o jogo chegava ao fim com o empate de 1 x 1, e o Pontal se sentindo como o vencedor, graças ao seu goleiro.

Nas tardes de domingo, quando aconteciam os jogos, na preliminar dois clubes decidiam quem era o vencedor. Só após o primeiro jogo começava o de fundo, o principal, com o Pontal e o PAC disputando naquele dia.
Já à noitinha, a partir das 19:00 horas, bem após o encerramento dos dois jogos, os entusiastas do futebol se dirigiram à Praça Central (ou Praça Mons. Hélio Pires ou, ainda como conhecemos, Praça da Matriz), onde o senhor Aldmar Duarte, pelos alto-falantes do Sr. Vidal, apresentava o jornal falado sobre a tarde esportiva daquele domingo.
Após comentar sobre os dois jogos, da preliminar e do de fundo, o Aldmar citava a seleção da rodada, entre os quatro clubes que participaram daqueles eventos. Naquele dia todos os ouvintes apreciadores do esporte foram surpreendidos pela escalação da seleção, que foi, segundo o comunicador do jornal, o Gelson escalado desde goleiro até o ponta esquerda, eram onze Gelsons. Ninguém o contradisse na sua escolha, pois o Gelson fôra um fenômeno de jogador naquela peleja.
Gelson foi uma pessoa digna, honrada e respeitosa, perante tudo e todos, independente de sua condição humilde. Sempre buscou um espaço na sociedade, cursando o primário, esforçando-se no Supletivo Ginasial, durante à noite, e mais tarde completou o curso de Técnico em Contabilidade, para melhorar sua posição de funcionário na Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro - CERJ - onde trabalhava.
Foi casado e deixou mulher, três filhos e uma casa construída para a família. Partiu desta para uma nova vida, mas por tudo que aqui praticou, não resta dúvida que lá onde estiver será recompensado.

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