segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Crônica sobre o Bom Samaritano



Homenagem a uma amiga.

J. Apolônio
Paraty-RJ - 2001


Ao cair da tarde, seguia no meu automóvel pela Avenida Roberto Silveira, em direção à minha casa na Boa Vista, com minhas duas filhas menores, quando à altura da Telerj, atualmente Telemar, meu carro parou por falta de gasolina. Desci do carro com minhas filhas e passamos a empurrá-lo para chegar ao posto de gasolina, que ficava muito distante do lugar em que estávamos. O veículo pouco se mexia, devido a falta de nossa força física.


Ali em frente havia uma construção de casas, com vários homens trabalhando, mas nenhum se deu ao trabalho de me ajudar. Sentia um certo desânimo quando surgiu, não sei de onde, um desconhecido que apeou de sua bicicleta e perguntou: - "A senhora precisa de ajuda?". Respondi-lhe que o carro ficara sem gasolina e tínhamos que levá-lo até o posto. Ele me disse que para empurrá-lo até lá levaríamos muito tempo, mas que ele poderia na sua condução trazer a gasolina necessária para o veículo andar.


Pediu-me uma vasilha para trazer a gasolina, mas lhe respondi que não a possuia. Ele me falou que não haveria problema, pois ele conseguiria no posto uma emprestada e depois a devolveria. Perguntou-me quanto eu precisaria de gasolina, que lhe respondi: de apenas R$ 5,00. Solicitou-me os R$ 5,00 para trazer a gasolina, quando deixei transparecer minha vacilação, pois só tinha R$ 10,00; ele, então, disse-me que traria o troco junto com a gasolina.


Nesse momento minha desconfiança transpareceu de forma acentuada, o que ele percebeu. Falou-me que ele mesmo compraria a gasolina e depois eu o reembolsaria. A sua demonstração de confiança enrubescera-me pela minha desconfiança, deixando-me vulnerável a lhe ceder meu único dinheiro.


Assim que ele se foi, assaltou-me inúmeras preocupações, pois me encontrava longe de casa com as duas filhas, sem gasolina e sem dinheiro. Foram momentos que me pareceram horas de aflição e agonia.


Não tirava os olhos da avenida por onde deveria vir aquele desconhecido; quando pude ver, ainda distante, uma pessoa vindo em nossa direção, montada numa bicicleta, que poderia ser num cavalo; com a camisa tremulando ao vento, em vez de uma armadura; com uma das mãos segurava um dos guidões, em lugar das rédeas; na outra trazia a vasilha com gasolina e, não, um escudo, tal qual um simples e humilde Dom Quixote dos tempos de hoje.


Chegando, o desconhecido apeou de sua bicicleta, devolveu-me o troco de R$ 5,00 e transferiu a gasolina da vasilha para o tanque do carro. Ao fechar a tampa do tanque, disse "obrigada" e, quando da partida do desconhecido, ainda pude ouvi-lo responder "de nada", perdendo-se na escuridão da noite.


Pude reconhecer, em que pese todas as mazelas no mundo, ainda existir pessoas de bom coração - bons samaritanos, como esse desconhecido, que como lição de vida jamais o esquecerei.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Crônica sobre a Esperança


ESPERANÇA

J. Apolônio
Paraty-RJ - 2005

Alguém disse: '' A Esperança é a última que morre ".

Meu avô teve esperanças de dias melhores. Morreu sem ver suas esperanças realizadas.
Meu pai, como meu avô, também teve as mesmas esperanças e morreu sem que nada acontecesse.

Eu cheguei à conclusão que a esperança é como uma ESPIGA DE MILHO.

Uma espiga de milho é atada na ponta de uma vara que passa sobre a cabeça de um burro, fazendo com que ele puxe a carroça, onde carrega de ''tudo'', na esperança de alcançar aquele apetitoso alimento, sem consegui-lo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crônica sobre a Liberdade



Liberdade


J. Apolônio

Paraty-RJ - 2005






Muito se falou sobre liberdade.



Por uma certa região voava um bando de pássaros que avistou lá embaixo um pequeno milharal.



Os pássaros desceram em sua direção e, chegando lá, passaram logo a desfrutar daquele alimento. Perfurando as palhas com seus bicos, sugavam a seiva dos tenros grãos de milho, saciando sua fome.



Os pássaros ao partir deixaram a pequena plantação de milho quase destruída.



Havia uma placa junto ao milharal que dizia: " Proibido colher milho ".



Mas os pássaros não sabiam ler.

domingo, 18 de outubro de 2009

Crônica sobre o Zé Mathias

Homenagem Póstuma a José Luiz Mathias,
o Zé Cobra como era conhecido.


Nasceu em 13/09/1931
Faleceu em 28/02/2001, aos 69 anos de idade.


J. Apolônio

Paraty-RJ - 2009

José Luiz Mathias era de família tradicional da nossa cidade. Seu pai foi um grande comerciante de secos e molhados, com armazém na Rua da Praia. A família Mathias morava no Centro Histórico, na Rua D.ª Geralda, em casa própria.

O Zé, como todo garoto, apreciava e jogava como poucos o futebol. Pude conhecê-lo no final de sua carreira, em 1961, quando ele defendia o Pontal Futebol Clube. Era o atleta que primava pelo perfeccionismo, ele dominava a bola no peito, descia-a pela coxa e com o pé deixava-a rolar no gramado. Segundo ele, a bola tinha que estar no chão onde era o seu lugar.

Não sei afirmar - nunca soube por ninguém - se o apelido de Zé Cobra era em razão de ser magro e alto, com pernas longas, ou se era por querer a bola sempre no chão, rastejando sobre a grama. Não importa, de uma forma ou de outra, o apelido poderia servir nas duas situações.

O domínio da bola era a grande qualidade do Zé Cobra, cantava as jogadas para seus companheiros, para voltarem a bola ou irem adiante, conforme a necessidade do jogo e, pedindo-a para tranqüilizá-los nos momentos mais difíceis, por ter um bom controle sobre ela.

O adversário quando partia para o ataque, defrontava-se com o Zé, que com suas pernas longas, embora fosse um pouco lento, conseguia tocar na bola, desviando-a para um colega próximo, desarmando assim o contendor. Não era fácil, como os adversários pensavam, passar por ele.

Para o Zé o futebol era uma arte, como um balé - ele era um bailarino do futebol.
Tratava a bola com carinho, sem chutões, amaciando-a apenas para deslizá-la sobre a relva verde do gramado, na procura do gol. Fez muito sucesso na sua juventude, desde o campo no Pontal, quando iniciou seus passos no futebol, até o Estádio Municipal Mário Pompeu Nardelli, no bairro da Chácara, onde encerrou a carreira de futebolista.

No início da década de 50, o Zé e seu amigo Carlos Conti foram trabalhar em São Paulo, na empresa alemã AEG. Fizeram amizades e passaram a jogar futebol com os novos amigos paulistas. Após um mês, o Carlos Conti não se adaptando com o clima paulista regressou a Paraty, mas o Zé ficou por lá, onde pouco tempo depois foi treinar no São Paulo Futebol Clube, time profissional de primeira grandeza. Agradou a comissão técnica, mas não foi aprovado pelo departamento médico, em razão de uma veia saliente que tinha na perna. Depois de algum tempo na Capital Paulista, retornou à sua cidade natal.

Profissionalmente exerceu o cargo de Escrivão de Polícia na Delegacia de nossa cidade, onde se aposentou. Como humano que era e solícito atendia os pais angustiados por terem o seu filho preso, sempre com uma palavra amena, confortante.

Também tinha o bom gosto pela dança nos bailes no clube de nossa cidade, onde conheceu a Luzia, que veio a ser sua esposa, dando-lhe dois filhos: William e Hudson.

O Zé partiu desta vida, mas deixou como lição para quem quisesse aprender que o futebol é jogado com a cabeça e não com os pés.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crônica Ah!...Mulher!...























Ah!... Mulher!...
J. Apolônio

Paraty-RJ - 2002


Segundo o poeta: "Em mulher não se bate nem com uma flor."

O que leva a mulher sofrer jocosidades com as imagens de "Yes, it's a woman"?

Atentando-se para o sentido da vida em que todos, sem distinção de sexo, querem galgar os mais elevados pontos, pode-se entender a tranformação das mulheres, competindo com os homens nos seus mais variados interesses.

Assim, vemos a mulher deixar a força de sua feminilidade: formosura, delicadeza, meiguice e doçura, para disputar com o homem seu espaço na sociedade. Seja no desejo do sexo, nos interesses econômicos e financeiros, no lado profissional e, por que não? - na força física, através da musculação, das artes marciais, inclusive na agressividade física, chegando às vias de fato.

Dalila conseguiu conquistar Sansão, não pela força, mas pela fragilidade, de onde emana toda a sua feminilidade, com as qualidades acima mencionadas.

Oh! Mulher!..., por que não continua como Dalila, em vez de ser Sansão?!!!...

Recordo ainda, do meu tempo de criança, quando estudava no primário, a leitura de um texto, que dizia mais ou menos assim: " Num determinado ponto de uma grande floresta existia um carvalho e ao seu lado uma taquara. O carvalho possuía um tronco robusto com seus galhos ficando acima das demais árvores. Quando ocorria um vento que atingia o local, a taquara, por sua fragilidade, dobrava-se, curvando-se toda. Nesse momento podia ouvir-se o carvalho, todo imponente e soberbo, ridicularizar a pobre da taquara. Os dias se passavam e a pobre da taquara tinha que agüentar o menosprezo do metido carvalho. Certa vez, o céu ficou negro, chovia torrencialmente com uma ventania muito forte, ouvindo-se o ribombar dos trovões, com os luzires dos relâmpagos e raios. A floresta toda se quedara num absoluto silêncio. A pobre taquara diante da tempestade, com toda aquela ventania, curvara-se, chegando aos rés do chão, podendo ainda ouvir as risadas depreciativas do carvalho. O estrondo de um trovão, ali perto, deixara todos na floresta agoniados e preocupados.
Após a passagem da tempestade, no dia seguinte, com a aurora, a pobre taquara já imaginava a gozação que sofreria do carvalho, mas, para sua surpresa, não ouvira nenhum gracejo do velho senhor. Sentira um forte cheiro de queimado, o que a deixara preocupada, pois a pior coisa que poderia acontecer era um incêndio na floresta. Porém olhando ao lado, pôde constatar que o velho carvalho se encontrava em cinzas. Um raio o atingira desde sua copa mais alta até o chão, destruindo-o totalmente.
Assim, podemos entender que nem sempre o mais forte leva a melhor.






terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mensagens de casamento



Mensagens de um Juiz de Casamento





J. Apolônio


Paraty - RJ - 2009








1.ª) A Felicidade





Todos almejam encontrar a felicidade. Procuram-na por todos os cantos.


Ela se encontra em nós mesmos, em cada um de nós. Achá-la é importante. Aqueles que a encontram são felizes. Faço votos que o casal encontre a felicidade e seja feliz.





2.ª) O Amor e a Paixão





São sentimentos incandescentes, ardem com imensa força. Mas também são sentimentos que com o passar dos dias, com os atritos comuns na vida do casal, podem ter seus desgastes, esfriando-se, até extinguindo-se.


Para que o Amor e a Paixão sejam duradouros, é preciso que o casal tenha sentimentos de Amizade e Companheirismo, pois estes sentimentos criam raízes firmes, fortalecendo o Amor e a Paixão, através de uma Amizade Sincera e de um Companheirismo Leal.





3.ª) A Educação Familiar





Com o enlace matrimonial do casal, provavelmente virão os filhos. E aí começa a grande responsabilidade dos pais: educar desde o berço, traçando uma linha reta para a formação do caráter dos filhos, com qualidades como dignidade, integridade, honradez e respeito, dentre outras.


Com a formação do caráter dos filhos atráves da educação, quem sabe, após algumas gerações, poderemos ter uma sociedade mais justa, conscienciosa, digna, honrada e solidária.


Para que essa sociedade seja formada por pessoas das mais responsáveis, desde simples profissionais até o mais elevado grau de um chefe de estado.


Acredito, sinceramente, que só teremos uma sociedade melhor se tivermos uma correta Educação Familiar.





4.ª) RUSGAS - pequenos desentendimentos, pequenas brigas do casal





Com o casal, no dia a dia, podem ocorrer rusgas. Caso não haja um diálogo entre marido e mulher, para a solução do mal entendido, essas brigas podem acarretar problemas maiores, até a separação do casal.


Os filhos ao verem os seus pais brigarem, passam a ter uma grande decepção com eles, pois para os filhos seus pais são os seus heróis, seus protetores, àqueles a quem podem procurar amparo e tranqüilidade a seus medos. Quando os filhos têm pesadelos, ou mesmo sustos durante à noite, eles procuram logo a cama dos pais para se protegerem.


Os pais devem evitar suas brigas diante dos filhos, encontrando um momento para conversar a sós. Eles devem investir-se de humildade, compreensão, inclusive saber perdoar, para a boa harmonia da família.





5.ª) Harmonia Familiar

A vida de um casal não é apenas um mar de rosas. Tem o seu momento de espinhos.

Quando acontece de desentendimento do casal é necessário que marido e mulher conversem, dialoguem para resolver o mal entendido. Ambos têm que ter humildade, compreensão, inclusive saber perdoar para a harmonia da família.

Obstáculos surgem a todo momento de nossas vidas; saber superá-los engrandece as pessoas e faz um bem enorme à alma.

Assim, nos momentos difíceis o casal não pode virar o rosto, ignorar os problemas, mas enfrentá-los de frente, acertando as diferenças, para uma boa relação de vida.




6.ª) PROMESSA DE NUBENTES NO CASAMENTO

Eu prometo meu (minha) querido (a) esposo (a).............., estar sempre presente em nossas vidas, nos bons e maus momentos, na alegria e na tristeza e também na educação e formação do caráter dos nossos filhos, para serem bons cidadãos e fazerem deste planeta um mundo melhor.
Eu te amo...................... .

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Crônica sobre o Gelson Rosena



Homenagem Póstuma a Gelson Rosena,

Gelson como era conhecido.

Faleceu em 18/11/1994, com 53 anos de idade.

J. Apolônio
Paraty- RJ - 2009


O Gelson era o filho mais novo da senhora Argentina Rosena, além do Omício, o mais velho, e da Nilza, que logo partiram para outras cidades, deixando a mãe e o irmão caçula. Eram provenientes do Estado do Espírito Santo, quando aqui chegaram, em nossa cidade, na década de 50.

Pela vida humilde que levavam, Gelson procurava ajudar a mãe, com serviços simples, como vender doces e salgados, carregar as malas dos viajantes que pela lancha da carreira chegavam, recebendo pequenas quantias em dinheiro.

Como todo garoto, apreciava uma pelada nos campinhos de futebol, onde se juntava à criançada. No início o Gelson jogava na frente, como toda a criança que queria marcar gol; só mais tarde optou pelo gol, onde fez sucesso como goleiro do Pontal Futebol Clube, no ano de 1961, no campeonato da cidade.

Sua grande apresentação foi num jogo, naquele campeonato, contra o Paratiense Atlético Clube - PAC, formado na sua maioria por garotos do infantil do Valdemar. O jogo terminou em 1 x 1, com a atuação do Gelson impecável. Naquele dia suas mãos mais pareciam garras de tigre. Quando parecia que o gol ia surgir, lá apareciam as mãos do Gelson, defendendo, jogando a bola para longe. O jogo transcorria para seu final e ninguém conseguia superar aquela figura de ébano, intransponível como uma muralha, que se colocava na frente do gol. Assim, o jogo chegava ao fim com o empate de 1 x 1, e o Pontal se sentindo como o vencedor, graças ao seu goleiro.

Nas tardes de domingo, quando aconteciam os jogos, na preliminar dois clubes decidiam quem era o vencedor. Só após o primeiro jogo começava o de fundo, o principal, com o Pontal e o PAC disputando naquele dia.
Já à noitinha, a partir das 19:00 horas, bem após o encerramento dos dois jogos, os entusiastas do futebol se dirigiram à Praça Central (ou Praça Mons. Hélio Pires ou, ainda como conhecemos, Praça da Matriz), onde o senhor Aldmar Duarte, pelos alto-falantes do Sr. Vidal, apresentava o jornal falado sobre a tarde esportiva daquele domingo.
Após comentar sobre os dois jogos, da preliminar e do de fundo, o Aldmar citava a seleção da rodada, entre os quatro clubes que participaram daqueles eventos. Naquele dia todos os ouvintes apreciadores do esporte foram surpreendidos pela escalação da seleção, que foi, segundo o comunicador do jornal, o Gelson escalado desde goleiro até o ponta esquerda, eram onze Gelsons. Ninguém o contradisse na sua escolha, pois o Gelson fôra um fenômeno de jogador naquela peleja.
Gelson foi uma pessoa digna, honrada e respeitosa, perante tudo e todos, independente de sua condição humilde. Sempre buscou um espaço na sociedade, cursando o primário, esforçando-se no Supletivo Ginasial, durante à noite, e mais tarde completou o curso de Técnico em Contabilidade, para melhorar sua posição de funcionário na Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro - CERJ - onde trabalhava.
Foi casado e deixou mulher, três filhos e uma casa construída para a família. Partiu desta para uma nova vida, mas por tudo que aqui praticou, não resta dúvida que lá onde estiver será recompensado.

Crônica sobre uma Jovem Negra













Encontrando a Rosa e a Pérola

J. Apolônio
Paraty- RJ - 2002

Os homens, pelo passar dos tempos, sempre procuraram a rosa negra e a pérola negra, preciosas raridades que despertavam a cobiça de todos.

Assim, vagavam pelas mais longínquas terras à procura da rosa negra, através de vales e montanhas, por matas e florestas, e nada encontravam.

E, também, por rios e mares, nas suas profundezas, procuravam pela pérola negra, nada encontrando.

Ledo engano dos homens, por mais que procurassem, não havia sinal de achá-las.

Certo dia, adentrando num restaurante, deparei-me com uma jovem negra. Seus lábios se entreabriram num suave sorriso, que mais pareciam uma rosa quando desabrocha em plena primavera. Seus olhos brilhavam como pérolas, como se fossem duas estrelinhas que cintilassem em noite escura.

A jovem personificava a rosa e a pérola negras, a quem os homens ansiavam tanto achar. Como feliz dos mortais pude encontrar, por acaso, essa jovem cheia de vida, beleza, formosura e simpatia, que irradiava luz e alegria a todos que pudessem admirá-la.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crônica sobre o Zé Campos




Homenagem Póstuma a José de Oliveira Campos,


o Zé Campos como o conhecíamos.




Nasceu em 16/10/1943 e faleceu em 17/02/09, aos 65 anos de idade.




J. Apolônio
Paraty-RJ - 2009



Conheci o Zé Campos, desde o tempo de criança, quando jogávamos futebol nos campinhos de pelada.


Logo o Zé encontrou no gol a sua posição, espelhando-se no seu ídolo daquela época, o Barbosa, grande goleiro da Seleção Brasileira e do Vasco da Gama, time de seu coração. Outro goleiro que marcou na admiração do Zé foi o Gilmar, também da Seleção Brasileira, campeã mundial em 1958, na Suécia.


Não havia como deixar de prestigiar aquela posição de goleiro. Assim, jogávamos nossa pelada e lá estava o Zé como goleiro de um dos times, arrumados ali mesmo no campinho. Dada a saída, a bola rolando e toda a criançada correndo atrás dela. Não havia posicionamento da gurizada, todos queriam apenas chutar a bola ao gol.


No fim da década de 50, apareceu em nossa cidade o Valdemar Domiciano, bom conhecedor de futebol, orientou e disciplinou a garotada no posicionamento em campo, chutes e cabeçadas a gol, condução da bola, na colocação da defesa e, como não poderia de ser, a do goleiro, que muito foi útil ao Zé, onde foi grande destaque nos clubes por onde passou.


Em 1961, organizou-se o campeonato Paratyense de futebol, com clubes como o Pontal, Chácara, Jabaquara, Boa Vista, Olaria, Selvamar e o PAC, que não possuía atletas para a sua formação, mas com a ajuda do Valdemar, tendo como base o seu infantil e completado com alguns jogadores mais experientes, o Paratyense Atlético Clube pôde participar daquele campeonato.


O PAC ficou naquele campeonato em 3.º lugar, atrás do Pontal e do Chácara, mas obteve prêmios pela defesa menos vazada, com o Zé Campos em destaque. Também tivemos o Paulinho como artilheiro, bem como o clube que mais gols fêz durante o torneio.


O Zé Campos teve dois irmãos, Levi e Pedrinho, que espelhando-se nele foram também grandes goleiros pelos clubes que passaram.


Zé namorou a jovem Maria Inês Gibrail Costa, com quem veio a se casar, formando uma família com as filhas Patrícia e Paula e as netas Fernanda e Joana. O Zé sempre primou como marido, pai e avô amoroso, aposentou-se como eletricista, mas ajudava a esposa na loja "Casa Costa" e a filha Patrícia na lanchonete ''Beija-flor'', que todo mundo ainda se lembra com saudades.


Quis o destino levar sua filha Paula, ainda na plenitude da sua juventude, onde alçava seus passos na profissão escolhida, como o grande baque na vida da família.


Mas também o destino trouxe motivos de alegrias àquela família, quando sua neta Fernanda - a "Nanda Costa", apareceu na mídia como estrela de teatro, televisão e cinema. Deixou todos orgulhosos com sua apresentação na novela da Globo, intitulada ''Cobras & Lagartos''.


Também orgulhosos, exultaram, como todos em Paraty, com a Fernanda representando Dolores Duran, no filme que a Globo levara ao ar sobre a vida da cantora dos anos 40 e 50.


Mas, ainda quis o destino levar o Zé Campos do seio de sua família e amigos, indo ao encontro de sua filha Paula.


Como alguém disse que aqueles que vão na frente estão preparando o caminho para a espera dos entes queridos que um dia também seguirão, cabe a nós a conformação.


Ao Zé, onde estiver, a admiração e a saudade de seus familiares e dos amigos que aqui ficaram.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Crônica sobre o Bonito Rosinha


Relato da vida de um passarinho:
"Bonito Rosinha"
J. Apolônio
Paraty- RJ - 1998
Desde menino que sou apreciador de passarinhos. Parece que por gostar deles, quero tê-los por perto.
Certo dia, olhando da varanda da minha casa para a gaiola do "Bonito Rosinha" - um pequeno, colorido e canoro pássaro de nossa região, apreciador de frutas e insetos - imaginei a solidão que ele passava. Assim, resolvi trazer uma fêmea para lhe fazer companhia. Deixei-a numa outra gaiola, próxima à do macho, para que se conhecessem. Depois de alguns dias os transferi para um viveiro com um ninho.
Os dias iam passando e vi que o casal de pássaros estava se dando bem. Entravam e saíam do ninho, como a prepará-lo para a procriação. Pude ver que já havia um ovinho no ninho. Reparei, entretanto, alguns dias depois, que o cantar do macho não era o mesmo, pois continha muita ansiedade e tristeza. Observei que a fêmea não saía do ninho, motivo pelo qual, cuidadosamente, levantei a tampa do mesmo e pude constatar, infelizmente, o seu falecimento, com o seu corpo sobre o ovinho. Tive que retirar a fêmea e enterrá-la, deixando o macho e o ovinho no viveiro. No dia seguinte o cantar do macho era de grande tristeza, de desespero até, procurando por sua companheira. Ele retirara e quebrara o ovinho que se encontrava agora no fundo do viveiro.
Diante dessa situação, trouxe no dia seguinte nova fêmea para lhe fazer companhia, mas qual não foi minha surpresa, ele não a aceitara, perseguindo-a com bicadas, fazendo com que a nova fêmea fugisse dele, voando de um lado para outro. Na verdade ele queria a sua companheira.
Dias depois vi que ele definhava de tristeza, sem vontade de viver, portanto não mais incomodando a nova fêmea. Não tive outra alternativa senão soltá-los para, quem sabe, na liberdade pudessem superar suas tristezas. A fêmea voou rápido e veloz, mas o macho com dificuldades ficou pelos raminhos da cerca viva, sem que eu soubesse de seu destino.
Com tudo isso, pude observar que um animal pequenino e irracional como esse possuía tanta sensibilidade, companheirismo e fidelidade, como poucos homens.