quarta-feira, 25 de novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A RATAZANA





ATOS E FATOS DO COTIDIANO


J. Apolônio
Paraty-RJ - 2009


Acredite se quiser!

Era uma noite amena de início de primavera, quando em minha sala, com as janelas abertas e a porta fechada para a varanda, vendo os pirilampos piscando suas luzes na noite escura de meu jardim, bebericava numa taça com vinho e mordicava uns pedaços de queijo e assistia um filme na TV por assinatura, quando percebi penetrando pela janela uma enorme ratazana que se esgueirou pelos móveis da cozinha, fazendo com que me levantasse rapidamente, abrindo a porta da sala que dava para a varanda e com uma vassoura batia nos móveis e pia da cozinha, onde ela se escondera, no sentido que ela fosse embora do meu recinto.

Algum tempo depois, cansado e sonolento, achando que a ratazana tivesse saído, resolvi desligar a TV e ir para o meu quarto, donde deitado poderia continuar a ver o filme que assistia. Assim o fiz.
Como era comum, sempre dormia e deixava a TV ligada, com a sua luz em penumbra a clarear o quarto.

Por algum tempo, sem precisar a hora, acordei com um movimento incômodo no meu ouvido, olhei ao lado e nada percebi. Imaginei que fosse alguma mariposa que, sem perceber sua presença no quarto, houvesse-me batido suas asas; e assim voltei a dormir.Eis que tempo depois, voltei a sentir o mesmo incômodo na orelha, porém com mais força. Acordei assustado e pude ver num relance, através da luz que emanava da TV, a ratazana que se esgueirava por debaixo da porta do quarto em direção à sala. Ela se comprimia toda para passar por baixo da porta de uma forma que me impressionou. Levantei-me rapidamente, abrindo a porta do quarto e penetrando na sala, com as chaves na mão, abrindo a porta da cozinha, onde estava a vassoura, e a da sala que dava para a varanda, quando observei que ao lado desta última havia muita serragem no seu pé; ela tentara fazer um buraco para sair. Reiniciei as pancadas com a vassoura nos móveis, pia e chão para que a intrusa saísse de minha casa. Como não a vi saindo, resolvi bebericar um pouco mais de vinho, assistindo a TV, até que ela se fosse, caso se mantivesse na sala. Assim fiquei algum tempo ali, aguardando que a intrusa fosse embora. Mas passei a me perguntar a razão de tudo aquilo, pois nunca antes tinha visto algo parecido. Analisando o acontecido, quando me encontrava mais tranquilo, concluí que a ratazana agira daquela forma por uma razão muito simples, que era da mãe preocupada com suas crias.

Ela descera pela janela até a minha sala, através do seu olfato, em razão do queijo que mordicava, correndo o risco de ser morta, para conseguir alimento para si e sua cria. Ao sentir-se prisioneira, sem poder sair, após tentar em vão corroer a porta que dava para a varanda, resolveu acordar aquele humano para que lhe abrisse a porta, angustiada que estava pelos seus filhotes desprotegidos.

E, assim, ela se evadiu do meu recinto.

E, com tudo isso, pude compreender que os ratos possuem inteligência e sentimento, ao contrário de ratos outros.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EPITÁFIO

AQUI JAZ O PENSADOR




J. Apolônio
Paraty- RJ - 2002




Há a sensação de um vazio.

As pessoas possuem pés de barro, caminham pelo chão entre pó e lodo. Algumas poucas, entretanto, caminham sobre as cabeças da maioria.

Na antiga Grécia, havia um indivíduo de nome Diógenes, que o chamavam de ''O Cínico''. Diógenes percorria as antigas ruas de Atenas com um lampião acesso, em pleno dia. Perguntado por que ele fazia aquilo - respondia que procurava um VERDADEIRO HOMEM.
Se Diógenes vivesse em nossos dias, talvez já tivesse tomado "cicuta", como Sócrates, para não sofrer tantas decepções.

As pessoas, chamadas civilizadas, por falta de dignidade humana, são falsas, mentirosas e enganosas, no sentido obscuro de suas vidas em se protegerem. Trapaceiam o tempo todo para a satisfação de seu egoísmo, mesquinhez e ganância.

Ainda se diz que os nativos das Américas e África eram selvagens. Como se os selvagens não somos nós dos tempos modernos.

A cortina se fecha. O guerreiro tomba no campo de batalha. O velho repousa após anos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A IRRESPONSABILIDADE





Atos e fatos do cotidiano



J. Apolônio
Paraty-RJ - 2008


No encontro com um amigo, num dedinho de prosa, ele me contou que teve uma namorada ou, como os jovens dizem, uma "ficante", que entre tapas e beijos, idas e vindas, teve uma triste experiência com essa mulher. Presenciou muitas humilhações, agressividades físicas, morais e materiais.

Após uma pausa, ele continuou narrando uma nova experiência que o deixou aturdido, sem compreender a natureza humana. Estava ele num supermercado, quando observou uma mulher negra examinando um saquinho de uvas e depois do exame, jogava-o sobre os demais saquinhos da mesma fruta, gesto esse que se repetiu por várias vezes.

Tempo depois, estava ele numa quintanda e observou também que uma mulher branca cometia o mesmo desatino, após examinar as mangas, jogava-as sobre as outras.

Nos dois casos, não havia ninguém para chamar a atenção daquelas irresponsáveis.

Ele, então, disse-me: tenho saudade dos tempos idos, quando o velho chefe de família recebia em sua casa o pretendente à mão de sua filha e dizia todo orgulhoso: minha filha é uma moça prendada, aprendeu com sua mãe, minha esposa, todos os afazeres de uma dona de casa: costura, borda, faz crochê, cozinha boas e gostosas comidas, além de ajudar na criação e formação do caráter dos seus irmãozinhos.

Pensando nas palavras do amigo, cheguei à conclusão que as mulheres que tanto almejaram os mesmos direitos dos homens, acabaram ficando também com todos os seus defeitos, quiçá, superando-os.